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CUSTO DE IMPLANTAÇÃO DA CULTURA DO CAFÉ PARA SISTEMAS DE PRODUÇÃO CONVENCIONAL E ORGÂNICA EM DIFERENTES REGIÕES

 

 

Patrícia Helena Nogueira Turco

Adm. Rural, Mestre, PqC do Pólo Regional Leste Paulista /APTA

patricia.turco@apta.sp.gov.br

 

Marli Dias Mascarenhas de Oliveira

Eng. Agr., Mestre, PqC do Instituto de Economia Agrícola /APTA

marli@iea.sp.gov.br

 

Osmar de Carvalho Bueno

Eng. Agr., Dr., Professor Adjunto  da UNESP/Botucatu

osmar@fca.unesp.br

 

 

A cafeicultura nacional apresenta características próprias de cultivo e vem passando por diversas evoluções na área agronômica, mercadológica e comercial, que apresentam tendências que deverão delinear o futuro da atividade.

Movimentos crescentes visando reduzir o uso de insumos agrícolas e implementação de sistemas de cultivo baseados em procedimentos biológicos renovam o interesse de pesquisadores e agricultores em práticas agrícolas, com adubação verde e rotação de culturas, que visam à recuperação e manutenção da fertilidade do solo e à redução no consumo.

Isso tem levado produtores a optarem por sistemas de produção que diminuem os impactos causados por produtos derivados de combustíveis fósseis e busquem a utilização de sistemas apropriados adequando, além de sua condição de sistemas familiares, tipos de terrenos de suas propriedades. Nesses casos se encaixam os produtores orgânicos e os de montanha com dificuldades de mecanização devido à alta declividade do solo.

O primeiro passo a ser dado pelo cafeicultor que quer produzir organicamente, é a filiação a uma instituição não governamental reconhecida pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento.

A seguir, ele deverá solicitar uma visita de certificação, visando iniciar o processo de conversão para a agricultura orgânica. De acordo com a Instrução Normativa nº 717/05/99, publicada no Diário Oficial nº 9419/05/99, o período mínimo para a conversão de cultura perene, é de 18 meses, que será contado a partir de data da visita de certificação. 

De maneira geral esses cafés conseguem significativo ágio sobre o café convencional, ou commodity. Assim, uma questão relevante é conhecer custos com a implantação desses sistemas de produção para averiguar as diferenças em termos de desembolsos na exploração de cafés especiais.

O objetivo deste artigo foi comparar os custos de implantação de três sistemas de produção de café a fim de permitir que se conheçam os recursos que mais oneram a implantação de café convencional, orgânico e orgânico de montanha.

A área de estudo foi o Sul de Minas Gerias para o sistema orgânico de montanha (SOM) e a região da Alta Mogiana no Estado de São Paulo para o sistema orgânico (SO). Os dados utilizados foram coletados através de aplicação de questionários junto aos produtores, o do sistema convencional (SC) são da Fundação Procafé. Todos são referentes ao ano de 2009.

A estrutura do custo de produção utilizada foi a do custo operacional. Esta estrutura leva em consideração os desembolsos efetivos realizados pelo produtor durante a implantação da lavoura, englobando despesas com mão-de-obra, operações com máquinas e implementos agrícolas, insumos e, ainda, o valor da depreciação dos equipamentos agrícolas utilizados no processo.

Portanto, foram calculadas as despesas com operações agrícolas (manuais e mecanizadas) e com material consumido, totalizando os Custos Operacionais Efetivos (COE), além dos custos com depreciação de máquinas, serviços de terceiros e encargos diretos sobre a mão-de-obra (40% do valor da despesa), que somados ao COE, resultam no Custo Operacional Total (COT).

Não serão levados em consideração outros custos de oportunidade imputados à atividade que visam à remuneração do capital fixo em terra, instalações e máquinas, que somados ao COT, representariam os Custos Totais de Produção (CTP). Entretanto, os custos de hora-máquina e as respectivas depreciações horárias foram baseados no trabalho de OKAWA, (2004).

Nas conclusões o custo de implantação da cultura do café (Tabela 1) apresenta os valores de COT de R$4.501,43 para o sistema convencional de R$4.024,94 para o sistema orgânico e R$3.830,76 para o orgânico de montanha. Em termos percentuais o sistema convencional é 11% maior que o segundo e 15% maior que o terceiro.

 

Tabela 1. Estimativa de custo operacional de implantação da cultura do café em São Paulo e Minas Gerais, hectare, espaçamento de 3,7x0,7 m, sistemas convencional em Minas Gerais, orgânico em São Paulo e orgânico de montanha em Minas Gerais, em reais, 2009.

 

 

Devido às características de cada sistema as participações percentuais relevantes para o SC e o SOM é o item material consumido porque no primeiro caso existe uma maior distribuição entre as despesas e no segundo uma concentração destas, pois este sistema exige menos recursos com operações de máquinas, uma vez que o trabalho é realizado em sua grande parte de forma manual e familiar, o que não onera o custo com encargos diretos.

Isso reforça a importância da cafeicultura orgânica para o pequeno produtor, pois exige grande demanda de mão-de-obra em função das práticas culturais.

Para o SO as maiores participações são com a mão-de-obra e operações de máquinas, uma vez que existe maior uniformidade na distribuição das despesas no sistema de produção tenha semelhança com o convencional em relação ao uso de máquinas e mão-de-obra.

Desse modo a escrituração dos custos de produção deve ser utilizada pelos produtores rurais como elemento fundamental de seu planejamento, como também na escolha de uma nova tecnologia adotada, para direcionar e auxiliar na tomada de decisão da atividade agrícola.

 

Esse trabalho está no site http://www.sober.org.br/palestra/15/725.pdf, apresentado no Congresso da SOBER em 2010.

 

Referências

MARQUES, R., CASTRO JUNIOR, L. G. de, REIS, R. P., Custo de produção da cafeicultura orgânica: estudo de caso, Vitória, II Simpósio de Pesquisa dos cafés do Brasil – set. 2001.

MATSUNAGA, M.; BEMELMANS, P.F.; TOLEDO, P.E.N.; DULLEY, R.D.; OKAWA, H.; PEDROSO, I.A. Metodologia de custo de produção utilizada pelo IEA. Agricultura em São Paulo. Instituto de Economia Agrícola, v.23, 142p. 1976.

OKAWA, H., Os preços de combustíveis e o custo de operação das máquinas agrícolas, São Paulo, IEA, 2004, Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/ vertexto.php?codtexto=1398>. Acesso em: 11 de mar. 2010. 

SARRANTONIO, M., SCOTT, T. W., Tillage effects on availability of nitrogen to corn following a winter green manure crop. Journal, Soil Science Society of America, Madison, v.52. n.6, p. 1661 – 1668, 1988.



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Reprodução autorizada desde que citado a autoria e a fonte

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Publicado em :2011-10-04
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